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quinta-feira, 5 de setembro de 2013


                                                                                                                             
Liduína Maria de Sousa Pereira


Nos últimos dias de novembro de 2009, tivemos a oportunidade de assistir a uma palestra do historiador Wilson Santos, também prefeito de Cuiabá, no auditório do campus da Unemat de Tangará da Serra. O tema foi à história de Mato Grosso. A comunidade acadêmica apreciou muito, extrapolando as expectativas pela competência e elegância do palestrante e, notadamente, o profundo conhecimento histórico. Agradável e útil para todos: não só aos ufanistas da nossa cultura, mas, também, para aqueles que vão prestar o concurso público, anunciado para janeiro de 2010.

Mas nem tudo foram rosas. O caso Wlademir Dias-Pino veio a luz da nossa consciência atormentada de cidadãos, se bem que nem todos ainda conhecem o referido poeta. Wlademir Dias-Pino é um dos nomes mais respeitados da poesia visual brasileira, participou da gestação da poesia concreta, nos meados dos anos 50, junto com Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Ronaldo Azeredo e Ferreira Gullar. Isto quando morava ainda em Cuiabá. Criador dos livros-poema Ave (1954) e Sólido (1956) e propulsor do movimento Poema/Processo, participou da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957. Em 1958, realizou no carnaval a primeira decoração geométrica das ruas cariocas. É o responsável pela criação do logotipo da UFMT e durante 10 anos trabalhou na organização de carnavais promovidos pela Prefeitura de Cuiabá. Em 1968, participou da Primeira Bienal de Arte Moderna de Nuremberg (Alemanha).

Wlademir Dias-Pino está profundamente ligado a história literária de Mato Grosso. Há, pois, uma dívida histórica para com ele, de Mato Grosso, tendo em vista que, como dissemos pouco se sabe do seu papel. No entanto, não é desta dívida que pretendemos tratar neste momento, mas de outra, bem mais fácil de ser paga. Eu explico o espinho. O poeta idealizou um projeto de escultura para a Praça 8 de abril que foi inaugurada pelo Prefeito Wilson Santos às vésperas do primeiro turno da eleição municipal, mas ainda não recebeu nenhum pagamento pelo trabalho. Não houve a assinatura de um contrato para referendar legalmente o pagamento. Na verdade, não há culpados, mas como o próprio prefeito comentou: uma “lambança” protagonizada pelos seus assessores.

Wlademir mora atualmente no Rio de Janeiro, está com 82 anos e passa por um complexo tratamento de saúde, precisando de recursos financeiros para lutar contra a doença.

Levamos o caso ao historiador-prefeito, imediatamente depois da palestra que nos referimos nas primeiras linhas deste texto. Estamos esperançosos. Ora, o profundo conhecedor da nossa história, dos seus heróis, sem dúvida, não perderá a oportunidade de fazer história, fazendo a coisa certa: redimindo o passado, que deixou o célebre poeta desconhecido dos mato-grossenses, e justificando o presente, efetivando o justo pagamento que significará mais para ele do que todas as homenagens póstumas.

Vamos ficar aguardando.

Liduína Maria de Sousa Pereira
Pesquisadora do Núcleo Wlademir Dias-Pino