O caso Wlademir Dias-Pino:
dívidas, lambança e promessa ( Publicado em 2010).
Liduína Maria de Sousa Pereira
Nos últimos dias de novembro de 2009, tivemos a
oportunidade de assistir a uma palestra do historiador Wilson Santos, também
prefeito de Cuiabá, no auditório do campus da Unemat de Tangará da
Serra. O tema foi à história de Mato Grosso. A comunidade acadêmica apreciou
muito, extrapolando as expectativas pela competência e elegância do palestrante
e, notadamente, o profundo conhecimento histórico. Agradável e útil para todos:
não só aos ufanistas da nossa cultura, mas, também, para aqueles que vão
prestar o concurso público, anunciado para janeiro de 2010.
Mas nem tudo foram rosas. O caso Wlademir Dias-Pino
veio a luz da nossa consciência atormentada de cidadãos, se bem que nem todos
ainda conhecem o referido poeta. Wlademir Dias-Pino é um dos nomes mais respeitados
da poesia visual brasileira, participou da gestação da poesia concreta, nos
meados dos anos 50, junto com Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de
Campos, Ronaldo Azeredo e Ferreira Gullar. Isto quando morava ainda em Cuiabá.
Criador dos livros-poema Ave (1954) e Sólido (1956) e propulsor do
movimento Poema/Processo, participou da Primeira Exposição Nacional de Arte
Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957. Em 1958,
realizou no carnaval a primeira decoração geométrica das ruas cariocas. É o
responsável pela criação do logotipo da UFMT e durante 10 anos trabalhou na
organização de carnavais promovidos pela Prefeitura de Cuiabá. Em 1968,
participou da Primeira Bienal de Arte Moderna de Nuremberg (Alemanha).
Wlademir Dias-Pino está profundamente ligado a
história literária de Mato Grosso. Há, pois, uma dívida histórica para com ele,
de Mato Grosso, tendo em vista que, como dissemos pouco se sabe do seu papel.
No entanto, não é desta dívida que pretendemos tratar neste momento, mas de
outra, bem mais fácil de ser paga. Eu explico o espinho. O poeta idealizou um
projeto de escultura para a Praça 8 de abril que foi inaugurada pelo Prefeito
Wilson Santos às vésperas do primeiro turno da eleição municipal, mas ainda não
recebeu nenhum pagamento pelo trabalho. Não houve a assinatura de um
contrato para referendar legalmente o pagamento. Na verdade, não há culpados,
mas como o próprio prefeito comentou: uma “lambança” protagonizada pelos seus
assessores.
Wlademir mora atualmente no Rio de Janeiro, está
com 82 anos e passa por um complexo tratamento de saúde, precisando de recursos
financeiros para lutar contra a doença.
Levamos o caso ao historiador-prefeito,
imediatamente depois da palestra que nos referimos nas primeiras linhas deste
texto. Estamos esperançosos. Ora, o profundo conhecedor da nossa história, dos
seus heróis, sem dúvida, não perderá a oportunidade de fazer história, fazendo
a coisa certa: redimindo o passado, que deixou o célebre poeta desconhecido dos
mato-grossenses, e justificando o presente, efetivando o justo pagamento que
significará mais para ele do que todas as homenagens póstumas.
Vamos ficar aguardando.
Liduína
Maria de Sousa Pereira
Pesquisadora
do Núcleo Wlademir Dias-Pino
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